A artéria que envelheceu um século num ano
15 abril 2026
Dizem que o tempo é relativo, mas na Avenida do Covedêlo com a Rua Sra. da Graça, ele corre a uma velocidade assustadora. Há apenas doze meses, este asfalto era uma promessa de modernidade, uma linha de futuro. Um tapete negro, liso, que ligava Celeirós à Aveleda, na periferia sul de Braga. Hoje, ao olhar para o chão junto ao parque industrial, a sensação é a de quem observa as ruínas de uma civilização antiga que tentou, sem sucesso, domesticar o subsolo. Como é que uma obra com garantia de execução se transforma, em tão pouco tempo, numa colcha de retalhos de tão má qualidade? A Vision, com o seu comportamento ágil, foi desenhada para a cidade, para serpentear no trânsito. Mas aqui, o serpentear é de sobrevivência. O chão por onde passamos não é manutenção; é um testemunho da arquitetura do desenrasque . O que vemos na imagem não é uma estrada. É uma coleção de cicatrizes mal curadas. Onde devia haver continuidade asfáltica, há agora uma guerra de materiais. O uso indevido de cimento...