A sebe que cresceu para lá do telhado
21 abril 2026
No dia anterior tínhamos estado no Theatro Circo, rendidos à voz de Elisabete Matos e ao piano de Maciej Pikulski. Talvez tenha sido a naturalidade dela — não apenas a que se ouve, mas a que vem de ter nascido nas Caldas das Taipas — que nos empurrou, no dia seguinte, para uma viagem de regresso. Fomos de mota às Taipas por causa dessa mesma naturalidade, como se a terra dela nos chamasse também a nós. Seguimos pela tarde, a minha mulher à pendura, cada vez mais habituada ao balanço das duas rodas, e ainda assim surpreendendo-me por ter sido ela a sugerir a viagem. Ao deixarmos Braga pela Morreira, a N101 recebeu-nos com a sombra cerrada do arvoredo, um corredor vegetal onde o sol só entrava por frestas. A descida prolongada parecia preparar-nos para o reencontro. À passagem por Sande (São Martinho), o cheiro a lenha de uma serração devolveu-me memórias que julgava adormecidas. Já no centro das Taipas, as esplanadas cheias confirmavam que o sol tinha feito a sua parte. A viagem, feita ...