O tinto, o voto e o rio: uma crónica de domingo
8 fevereiro 2026
A manhã de domingo instalou-se com a bonomia de um ritual antigo. Em Braga, os dias de eleições possuem uma quietude própria, uma suspensão do tempo que convida ao pequeno-almoço tardio e ao pão que o padeiro, num gesto de cortesia dominical, entrega com o sol já alto. O dever cívico cumpriu-se de carro, uma concessão à companhia da mulher, guardando a minha Honda para o momento em que a solidão se torna necessária. O almoço foi um manifesto de resistência: papas de sarrabulho e rojões, escoltados por um tinto medieval de Ourém. Um vinho de "matricialidade" antiga, selado a cera, com a cor granadina de um segredo bem guardado e taninos que acariciam o palato antes de um final guloso. Foi este o combustível — complementado por um café de Campo Maior — que me lançou à estrada sob um céu de um cinzento harmonioso, uma aguarela de inverno que prometia tréguas à chuva. Cruzei a cidade sem a ditadura dos ponteiros, sentindo o pulsar de uma Braga tranquila. A Honda Vision, extensão ...