O sul que corre para norte
3 maio 2026
Há certas tardes em que Braga se veste de uma luz de papel de seda, e a minha Honda Vision parece deslizar por um cenário que não é apenas asfalto, mas uma sequência de fotogramas de uma cidade que respira entre o betão e o sonho. Seguia pela variante sul, no ritmo de quem não tem pressa porque o caminho é o próprio destino, quando fui abruptamente interpelado. Ali, num outdoor de saída para Nogueira, o contraste era absoluto: a rudeza da estrutura metálica versus a elegância de um maestro que, de batuta em riste, parecia querer reger o trânsito da cidade. O cartaz anunciava a vinda da Orquestra do Algarve ao Theatro Circo. Sorri por baixo do capacete. Há dois meses que o meu exemplar desta “edição” de maio está reservado. Tratei de assegurar um camarote inteiro; desta vez, não seremos apenas dois. Vou levar comigo quem nunca sentiu o peso do silêncio de uma sala de espetáculos antes da primeira nota. O Algarve sobe ao Minho para nos falar da Amazónia. É uma inusitada conjunção geográ...