O equilíbrio que fica
3 março 2026
O mundo, lá fora, insiste em desabar. Transformaram a existência num casino geopolítico onde a insanidade humana joga fichas que não lhe pertencem. O quotidiano tornou-se um moedor de sanidade que corrói o nosso poder mental. É um tempo de sombras, de ecrãs frenéticos e de olhares que se fixam, cada vez mais, no chão. É precisamente nesta asfixia que a minha mota deixa de ser apenas um meio de transporte e se afirma como um instrumento de insurreição poética. Conduzir é uma questão de perspetiva. Quem caminha cabisbaixo, prisioneiro da gravidade e da rotina, vê apenas o asfalto e os obstáculos. Sobre duas rodas, a cidade rearranja-se. A procura constante de novos ângulos — a forma como a luz de Braga incide numa fachada ao amanhecer, o recorte de um telhado contra o céu, o fluxo orgânico do trânsito — torna a cidade sempre diferente. O que antes era cenário estático revela-se um mundo em mutação, uma realidade que só se entrega a quem ousa olhar para cima e para a frente. Mas a viag...