O inverno infinito e o enigma da Vision vermelha
26 março 2026
Tenho acordado com o sol a bater-me no rosto. Braga, na sua bonomia primaveril, já nos oferece dias com temperaturas acima dos 20 graus. A sensação tátil de vestir roupa mais leve, em vez do peso do inverno, é uma pequena vitória diária, uma confirmação de que os dias longos e quentes chegaram para ficar. A minha Vision, que me acompanha fielmente durante todo o ano — enfrentando a chuva persistente do Minho e as manhãs gélidas de janeiro sem nunca reclamar —, parece agora brilhar de outra forma sob este calor, quase invisível no trânsito, apenas mais uma pincelada de cor na paleta da cidade. Mas, como se o mundo quisesse travar o nosso entusiasmo, recebi uma fotografia de Bulle, na Suíça. Foi o meu enteado que enviou, tirada da janela esta manhã. E a imagem é de um inverno infinito em plena primavera. Os telhados pálidos de Bulle, incluindo aquele rosa-pastel que imagino acolhedor no verão, estavam cobertos de branco. Uma árvore conífera solitária e persistente ergue-se no meio de um ...