O mundo num depósito de trocos
11 fevereiro 2026
Há viagens que começam muito antes do motor arrancar. A minha começou no ecrã de um portátil, entre comparativos técnicos e a busca por um conforto que a minha velha companheira de estrada já não oferecia. Procurava uma solução para as variantes de Braga, algo que não tremesse perante o perfil de autoestrada, mas acabei por encontrar o mapa de uma certa humanidade. A Honda Vision 110, antes de chegar num contentor vindo do Oriente, apresentou-me a personagens que parecem saídas de um filme de domingo à tarde. Conheci um cavalheiro na ruralidade inglesa que, num acesso de pudor tipicamente britânico, escondia a eficiência da sua mota. Tinha vergonha de pagar "trocos" nas bombas de gasolina — o depósito de 4,9 litros era demasiado humilde para o protocolo do posto de abastecimento. Imaginem: enchia jerricãs de carro para, no refúgio da garagem, alimentar a sua Vision sem testemunhas. O ridículo transformado em charme. De Inglaterra saltei para Bucareste. Nas mãos de Arthur Voic...