A poesia invisível da poupança
4 abril 2026
Diz no seu editorial, Domingos Janeiro, diretor da conhecida Revista Motos , que a mota sempre foi, antes do lazer e do vento na cara, uma tábua de salvação. Uma ferramenta de sobrevivência para equilibrar as contas de casa quando a história aperta. E aperta tantas vezes. Olho para o trânsito parado da manhã e vejo-as. São dezenas de pequenas scooters que zunem por entre os carros cinzentos. Há quem lhes chame ferramentas de trabalho, veículos utilitários ou, de forma mais crua, uma tática para fintar o preço da gasolina e a tirania dos ponteiros do relógio, mas agora, com a luz generosa da primavera a bater direta no asfalto, a fuga torna-se ainda mais tentadora. São a resposta prática a uma vida que se tornou cara e rápida demais. Mas há um segredo guardado na sobriedade dessas pequenas máquinas que a economia não consegue contabilizar. A pessoa que compra uma mota apenas para poupar uns trocos ao final do mês está, sem saber, a assinar um pacto com a liberdade. No primeiro dia, ela...