A carótida do tempo e o lote de São Tomé
28 março 2026
Será contranatura acordar mais cedo num dia de descanso do que num dia de expediente? Faço-o para poder viver mais com a minha mulher antes de nos separarmos para diferentes destinos. Venha então, o dito pequeno-almoço fora. Em cima da máquina de venda de tabaco encontro a Revista Minha . Pego nela e folheio-a, apreciando o enquadramento da sua composição. Com a primeira dose de cafeína absorvida, partimos. O céu é de um azul absoluto, com o sol ainda baixo, a nascente. Mas antes da despedida, recebo um pedido: ir regar uma horta que mantemos, em tom de favor. Ora, meu amor, já deverias saber que a rega é para mim um prazer, não um favor. A estrada faz-me bem com o asfalto ainda a dormir. Tão a dormir que me ocorre ir em busca da avenida dorminhoca, a carótida da cidade, para lhe medir o pulsar matinal. O objetivo era rumar às coordenadas que Fernando Alves ditou na rádio – a Avenida Central que ainda cochila, sentir o silêncio do coreto mais antigo de Braga. Encosto a Vision com a na...