O peso da marcha atrás
28 abril 2026
Por estes dias estacionei a mota em frente a uma livraria no centro de Braga. A ideia de entrar numa livraria é, em princípio, procurar livros. Mas eu nunca consegui domesticar este gosto antigo pelo grafismo, pelas revistas, por essa superfície impressa que parece sempre guardar um segredo. Talvez devesse procurar uma revistaria, mas não conheço nenhuma. Volto então à livraria, como quem regressa a um hábito que não se questiona. Procuro uma secção de revistas, mas percebo rapidamente que isso existe apenas na minha cabeça, como certas ruas que julgamos lembrar e afinal nunca percorremos. Já com dois livros na mão, prestes a virar-me para sair, vejo um empilhamento improvável: uma única revista repetida vinte vezes, como se alguém tivesse decidido que bastava aquela para representar todas as outras. Chama-se Ler . Uma ordem, quase um imperativo moral. A capa, bordô e mostarda, ilustrada por Pedro Vieira, prende-me antes de qualquer título. Peço um exemplar sem hesitar. Só já fora da l...