O céu, a terra e uma Honda no caminho
28 fevereiro 2026
Começou com um dedo apontado e uma revelação inesperada. — É uma Honda! — disse uma criança, com a autoridade que só os cinco anos permitem. Desarmou-me. O logótipo que, para mim, é extensão — quase pele — era, para ele, descoberta pura. A manhã previa estrada, mas ficou retida entre a espuma da lavagem e o peso institucional de uma cidade ocupada por paradas militares e ecos de conflitos distantes. Braga, em dia de cerimónias, transforma-se num tabuleiro de xadrez onde a minha Vision 110 procura, paciente, a sua aberta. A tarde trouxe recompensa. O trânsito, num gesto raro de cortesia, abriu caminho até à Senhora-a-Branca. Estacionar é, nestes dias, exercício de sorte; hoje a cidade colaborou. Atravessei os jardins com a calma de quem sabe que o tempo é finito — mas elástico — e subi ao primeiro piso da Casa Rolão. Lá dentro, o ruído das guarnições deu lugar ao silêncio cúmplice entre a.menhia e Vânia Cardoso. As pinturas abstratas da artista alemã — poemas visuais suspensos em azuis...