O destino invisível das palavras
21 fevereiro 2026
Sempre imaginei o blogue como um objeto volátil — uma sequência de luz e código que atravessa o asfalto de Braga para se perder no brilho dos ecrãs. Mas o papel tem uma gravidade própria, uma insistência em permanecer que o digital desconhece. Recentemente, o meu olhar caiu num registo de uma crónica minha resgatada do fluxo binário e depositada com cuidado numa bolsa de arquivo. Ali, entre o mogno de uma estante e a sobriedade de uma pasta de coleção, a minha Honda Vision 110 pareceu ganhar um novo peso. Prefiro esta existência clandestina. Ver o logótipo minimalista e a ilustração da scooter — esse pequeno selo de autoridade técnica e estética — impressos e guardados, é sentir que o percurso encontrou repouso. Este espaço não precisa de ser um volume encadernado para ser lido devagar. Basta que alguém, algures, sinta que aquelas palavras merecem o refúgio de uma gaveta, o abrigo do papel de alta gramagem, ou a companhia de outras revistas de época. É o leitor quem faz a transmutação...