Natal em duas rodas: onde a cidade nos abraça

28 dezembro 2025
Praça de pedra em Braga repleta de motas estacionadas, em frente a uma igreja barroca e edifícios históricos, com letras gigantes vermelhas que formam Braga e o sol de inverno ao fundo

Diz-se que a scooter é a dona da discrição, mas hoje a minha Honda Vision decidiu vestir-se de festa. Com o sol de inverno a tentar aquecer o que a manhã ainda arrefecia, partimos. Desta vez, não fui sozinho: levava a minha mulher à pendura e um convite lançado a amigos para provar que, num desfile dominado por grandes cilindradas, o espírito de liberdade não se mede em cavalos, mas em sorrisos.

O encontro num posto de abastecimento foi o prefácio desta história. Três scooters, prontas para desmistificar preconceitos e seguir caminho até ao Estádio 1º de Maio. Lá, no quartel-general do Moto Clube de Braga, o tempo esticou-se na habitual e bem-vinda demora de quem celebra o reencontro.

Quando a marcha arrancou, a cidade transformou-se. Do lugar do pendura, as mãos da minha mulher acenavam a crianças que, de olhos brilhantes, nos devolviam o gesto. É um momento curioso: a mota deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser um elo. Senti, a cada curva, a descontração dela a fundir-se com o balanço da Vision. Já não havia tensão, apenas o ritmo fluido do asfalto.

Parar num semáforo era a oportunidade de fotografar com o olhar: as fachadas de Braga, as árvores despidas, os pais com filhos ao colo nos passeios. O ruído das buzinas e dos escapes não era barulho, era uma saudação cívica. Do Estádio 1º de Maio ao Largo Carlos Amarante, a cidade não nos viu apenas passar; ela abraçou-nos. E nós, entre o vermelho da mota e o vermelho do Natal, seguimos caminho, confirmando que a felicidade, às vezes, só precisa de duas rodas e uma boa companhia.