A curva que nos leva a casa
Começou com uma scooter vermelha, o alcatrão de Braga e a vontade bonita de registar a cidade vista em duas rodas. Chamei-lhe A Minha Honda. Mas a escrita, tal como as viagens que valem a pena, tem o hábito maravilhoso de escolher os seus próprios desvios, de desacelerar onde menos se espera.
Ao longo desta viagem, percebi que o que nos prende a estas linhas não é a marca que nela vem gravada. É o espaço misterioso que existe entre a esquina que deixamos para trás e a próxima ruela que se revela diante de nós. É o tempo que demoramos a parar, a olhar e a fotografar o mundo com palavras.
É o que acontece, verdadeiramente, entre curvas.
Por isso, o blogue cresceu. Ganhou maturidade e a necessidade natural de ter um teto inteiramente seu, independente e sem amarras. Um lugar onde possamos viajar de moto, a pé pelas pedras da cidade ou sob qualquer outra forma de liberdade que o futuro nos reserve.
Muito brevemente, o meu caderno de sensações passa a morar de forma definitiva em:
A ilustração icónica da Vision continua no topo do cabeçalho a dar-nos as boas-vindas, a escrita intimista e despretensiosa mantém-se intacta e a paleta de cores acolhedora continuará a fazer de cada crónica um objeto de coleção. Apenas mudei de morada para que a nossa “leitura lenta” tenha mais espaço para respirar.
Se o leitor tem o endereço antigo guardado nos seus favoritos, não se preocupe: a tecnologia tratará de criar um desvio automático para que todas as estradas antigas venham dar a esta nova casa digital.
Obrigado por partilhar comigo este prazer de andar, parar e olhar. Ajuste os espelhos, guarde a pressa no bolso e venha daí.
A nova morada está pronta. E o caminho, esse, continua sempre.